Refinaria chinesa sancionada Hengli busca petróleo não iraniano
A Hengli Petrochemical, sancionada pelos EUA por comprar petróleo iraniano, agora busca petróleo bruto de fornecedores do Oriente Médio e da África Ocidental, sinalizando uma mudança no setor de refino independente chinês.

A Hengli Petrochemical, refinaria privada chinesa sancionada pelos EUA em abril por supostamente comprar petróleo iraniano, agora busca petróleo bruto de outros produtores do Oriente Médio e da África Ocidental, segundo fontes comerciais citadas pela Reuters na quinta-feira. A empresa, que opera uma refinaria de 400.000 barris por dia em Dalian, é uma das maiores independentes da China e historicamente dependia de cargas iranianas com desconto. A mudança ocorre após sanções dos EUA que visam cortar o fluxo de receitas do Irã, forçando a Hengli a buscar alternativas no mercado spot, onde os prêmios para graus como o Basrah Light e o Arab Light subiram recentemente.
Essa mudança é importante para os mercados globais de petróleo porque a Hengli representa uma fatia significativa da demanda chinesa por petróleo iraniano, que já vinha caindo devido ao aperto nas inspeções dos EUA. Seu afastamento pode apertar a oferta para outros compradores de petróleo iraniano, como refinarias independentes na Índia e no Sudeste Asiático, enquanto aumenta a demanda por graus da Arábia Saudita, Iraque ou África Ocidental. Isso ocorre em um momento em que a OPEP+ mantém cortes de produção, com a Arábia Saudita e a Rússia coordenando para sustentar os preços, e a capacidade ociosa global está concentrada em poucos países. O spread Brent-WTI já reflete alguma tensão, com o Brent negociado com prêmio sobre o WTI, enquanto a margem de crack (crack spread) para gasolina e diesel na China permanece comprimida, limitando a disposição das refinarias em pagar prêmios muito altos. Os traders podem monitorar essas mudanças de oferta no painel de petróleo bruto ao vivo da NowPrice, que rastreia movimentos de preços em tempo real nos principais benchmarks.
Os participantes do mercado observarão quaisquer ações de execução adicionais dos EUA contra as refinarias teapot chinesas, bem como o impacto nos volumes de exportação do Irã, que já caíram para cerca de 1,5 milhão de barris por dia, segundo estimativas. O spread Brent-WTI e os diferenciais do petróleo bruto do Oriente Médio também podem refletir fluxos comerciais em mudança nas próximas semanas, especialmente se a demanda marginal da China se deslocar para o Atlântico. Além disso, o mercado de futuros pode mostrar contango ou backwardation dependendo do equilíbrio entre oferta e demanda, com os estoques estratégicos dos EUA (SPR) ainda em níveis historicamente baixos após as liberações de 2022. Qualquer sinal de que a Arábia Saudita ou a Rússia ajustarão sua produção em resposta à mudança nos fluxos também será monitorado de perto.