Goldman diz que lucros impulsionarão ganhos em ações com muitos ativos
Estrategistas do Goldman Sachs esperam que empresas com uso intensivo de capital reportem lucros sólidos nesta temporada, superando pares que dependem de ativos humanos ou digitais.

Os estrategistas do Goldman Sachs preveem que as empresas com uso intensivo de capital apresentarão lucros sólidos nesta temporada de balanços, continuando a superar os pares que dependem mais de ativos humanos ou digitais. A visão é baseada no ciclo econômico atual e na dinâmica setorial que favorece empresas com ativos físicos significativos. O chamado "Fed Model" — que compara o rendimento dos lucros (earnings yield) com o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos — sugere que, com os juros ainda elevados, ações de setores com forte geração de caixa e ativos tangíveis podem oferecer um prêmio de risco mais atrativo. Atualmente, o earnings yield do S&P 500 gira em torno de 3,8%, contra um rendimento do Treasury de 10 anos próximo de 4,3%, indicando que a renda fixa ainda compete com as ações, mas setores como energia e materiais apresentam yields mais altos, em torno de 5% a 6%, o que os torna relativamente baratos.
Para os traders do mercado de ações, isso sugere uma possível rotação para setores com muitos ativos, como industriais, energia e materiais. Essas empresas geralmente se beneficiam do poder de precificação e alavancagem operacional em um ambiente de demanda estável e custos de insumos administráveis. Além disso, indicadores de amplitude de mercado, como a porcentagem de ações acima da média móvel de 200 dias, mostram que esses setores vêm ganhando participação relativa. O rendimento de recompra (buyback yield) também é um fator relevante: empresas com muitos ativos, como as de energia, frequentemente apresentam altos níveis de recompra, o que sustenta os preços. No NowPrice, os preços das ações ao vivo e gráficos mostram como o mercado está reagindo a essas tendências setoriais, com nomes de alto ativo ganhando força. A volatilidade implícita em opções (VIX) permanece em níveis moderados, perto de 15, o que sugere que o mercado não espera grandes oscilações, favorecendo uma alocação gradual para esses setores.
Olhando adiante, os investidores devem monitorar os próximos relatórios de lucros de grandes empresas industriais e de energia, bem como dados macroeconômicos sobre produção industrial e utilização de capacidade. O desempenho relativo das ações com muitos ativos versus aquelas com poucos ativos será um tema chave nesta temporada de balanços. Além disso, a trajetória da política monetária do Fed — se mais hawkish ou dovish — influenciará diretamente as taxas de desconto e, consequentemente, os múltiplos P/L forward. Atualmente, o P/L forward do S&P 500 está em torno de 20x, mas setores como energia negociam a cerca de 12x, oferecendo um desconto significativo. Caso os dados de inflação continuem cedendo, permitindo cortes de juros, esses setores podem se beneficiar ainda mais, pois são sensíveis ao ciclo econômico. Portanto, a combinação de valuation atrativo, forte geração de caixa e suporte de recompras torna as empresas com muitos ativos uma aposta interessante para os próximos meses.